Sistema de complemento
O que é?
O sistema de complemento é formado por proteínas plasmáticas produzidas pelo fígado 🟡 que circulam inativas no sangue até serem ativadas por microrganismos 🦠 ou por complexos antigénio–anticorpo 🔗.
A ativação desencadeia uma cascata irreversível 🔥, gerando fragmentos com funções essenciais:
-
Opsonização 🏷️ — marca os patogénicos e facilita a fagocitose.
-
Quimiotaxia 🧭 — atrai células fagocitárias para o local da inflamação.
-
Lise celular 💥 — forma poros na membrana dos microrganismos e destrói-os.
Este sistema é fundamental na defesa inata 🛡️, reforçando a eliminação de microrganismos e apoiando a imunidade adaptativa 🎯.
Como funciona o sistema complemento?
Vias de ativação
Via Clássica
🔸
Desencadeada quando anticorpos se ligam a antígenos na superfície do microrganismo
🔸
C1q reconhece a ligação e ativa C1r e C1s → inicia cascata de reações
🔸 Associada à imunidade adaptativa (depende de anticorpos)
Via Alternativa
🔸
Ativação espontânea da proteína C3, que se liga diretamente a superfícies de microrganismos
🔸
Nas células do hospedeiro, a ativação é inibida; patógenos não possuem proteção
🔸
Faz parte da imunidade inata (não precisa de anticorpos)
Via da Lectina
🔸
Lectina ligante de manose (MBL) reconhece açúcares na superfície de microrganismos
🔸
Ativa MASP-1 e MASP-2, proteínas semelhantes às da via clássica
Etapas após a ativação
Formação da C3 convertase
🔸
Cliva C3 em:
-
C3a → inflamação e quimiotaxia (atrai células de defesa)
-
C3b → opsonização, marcando o microrganismo para fagocitose
Eventos tardios
🔸
C3b forma a C5 convertase, que cliva C5 em:
-
C5a → molécula inflamatória potente, aumenta permeabilidade vascular e recruta células imunitárias
-
C5b → inicia montagem do Complexo de Ataque à Membrana (MAC): C6, C7, C8, C9
🔸 MAC abre poros na membrana do patógeno → lise e morte celular
Estrutura do Sistema Complemento
C1
🔸 Inicia a via clássica
🔸
Ativação principal: ligação a anticorpos
C3
🔸
Proteína central do sistema, ativada em todas as vias
🔸
Ativação principal: amplificação da resposta
C5
🔸
Participa na formação do MAC
🔸
Ativação principal: formação do complexo terminal
C6, C7, C8, C9
🔸
Formam o MAC
🔸
Ativação principal: inserção na membrana do patógeno
Funções
🟢 Opsonização
- C3b e fragmentos relacionados ligam-se aos patógenos, marcando-os para fagocitose por neutrófilos, macrófagos e células dendríticas
🔥 Inflamação
- C3a, C4a e C5a (anafilatoxinas) estimulam mastócitos e basófilos a libertar histamina e outros mediadores, aumentando fluxo sanguíneo e recrutamento de células imunitárias
💥 Lise direta
- O MAC perfura a membrana dos microrganismos, causando lise celular e destruição do patógeno
🧭 Quimiotaxia
- Fragmentos como C5a atraem neutrófilos e outras células fagocíticas para o local da infeção
⚖️ Regulação da imunidade adaptativa
- O complemento interage com anticorpos e células imunitárias (B e T), potenciando a ativação de células B e a formação de memória imunológica
🦠❌ Neutralização de vírus
- A opsonização e o MAC podem bloquear a entrada de vírus nas células-alvo
🚮 Eliminação de complexos imunes
- Remove complexos antigénio-anticorpo da circulação, prevenindo depósitos teciduais e doenças autoimunes
🛡️ Defesa das mucosas e barreiras
- Atua em conjunto com lectinas e proteínas surfactantes, protegendo mucosas como as do pulmão e intestino
Importância
🛡️ Defesa contra infeções
- Reconhece e elimina microrganismos de forma rápida e eficiente, muitas vezes antes do sistema imunitário adaptativo atuar
🔥 Papel na inflamação
- Estimula a libertação de mediadores inflamatórios, aumentando a permeabilidade vascular e atraindo células do sistema imunitário, reforçando a defesa
💥 Contributo na destruição de células tumorais
- Pode intervir na eliminação de células tumorais, com potencial na imunoterapia contra o cancro